Vilar de Andorinho é uma freguesia do concelho de Vila Nova de Gaia, com 6,52 km² de área e 18 155 habitantes (2011). A sua densidade populacional é 2 784,5 hab/km². Os lugares da freguesia são: Baiza, Balteiro, Giesta, Lijó, Mariz, Mata, Menesas, Moinhos, São Lourenço, Serpente (onde se encontra a urbanização Vila d'Este) e Vilar.

Vilar de Andorinho detém uma posição geográfica estrategicamente privilegiada. Confina com o centro da cidade, interligando-se e complementando-se com este. A abertura da Estrada Nacional 222, e mais recentemente do nó de ligação desta ao IP1, que atravessa a freguesia, veio melhorar significativamente as comunicações com as cidades de Gaia e Porto. A ligação direta à Avenida da República através da Estrada Nacional 222 e a ligação ao Porto pelo IP1 (Ponte do Freixo), colocaram Vilar de Andorinho numa posição privilegiada, que tem vindo a atrair cada vez mais população.

Topónimo "Vilar de Andorinho"

O topónimo "Vilar de Andorinho" surge no século XIV, substituindo o de “Vilar de Febros”. O termo “Vilar” é empregue para designar uma pequena vila ou fracção da vila rústica medieval. Quanto ao significado ou origem do termo “Andorinho”, tem-se entendido ser uma corrupção do antropónimo godo “Adonorigo”, nome de um patrono ou padroeiro da igreja de Vilar de Febros que viveu no século XII. Não há contudo uma opinião unânime quanto a esse significado. No entanto, a designação “Vilar de Andorinho” não é das mais antigas, surgindo muitos outros topónimos na freguesia que lhe são anteriores. É o caso de “Mariz”, derivado de “Amalarici”, provavelmente o mais antigo de todos, referente ao nome de um senhor godo destas terras, e que poderá remontar ao século V ou VI. Já o topónimo “Balteiro” terá raízes germânicas, enquanto que “Baiza” é de origem desconhecida. “São Lourenço” diz respeito ao santo mártir.

Quanto aos restantes lugares, é certo que “Lijó” tem raízes medievais, sendo durante muito tempo conhecido por “Alijó”; “Menesas” deriva possivelmente de Meneses, sobrenome de raízes toponímicas, tirado da localidade de Meneses de Campos, na província de Palência, em Espanha; “Giesta” deve reportar-se à abundância do respectivo arbusto; “Moinhos” é também facilmente identificável; “Castêlo” é relativo a um castro muito antigo que se situa no extremo de Lijó; e “Mata”, bem mais recente, deve-se aos muitos pinheiros existentes neste ponto de passagem para Avintes.

História

Situada numa região privilegiada pela natureza, a freguesia de Vilar de Andorinho apresenta vestígios de ocupação humana desde tempos muito recuados. O local era já habitado em épocas pré-históricas.  No século XI aparece a primeira referência documental a Vilar de Andorinho, então Vilar de Febros, cuja igreja era da apresentação da Sé Portucalense. Tal documento, datado 1072, faz alusão à existência de um mosteiro de São Salvador, podendo encontrar-se a sua transcrição no Catálogo dos Bispos do Porto, de D. Rodrigo da Cunha, Bispo do Porto, cuja primeira edição data de 1623: “O Presbítero Rodrigo Tuulfes doa ao abade D. Mendo e seus frades et ad ipsius dictus Sanctos Salvador jam supradictum, acisterio Villar com seus bens que possui aqui in villa Villar inter Uluvaria (Oliveira do Douro) et Ecclesiola discurrente rirulo Fevevos (rio Febros) e noutras villas suas próprias de Sancta Eulália, Outeiro et Villar, herdadas de seus pais e avós e tudo Subtus Monte Grande, território Portucalense discurrente ribulo Feveros”. Por aqui se pode constatar a independência de Vilar de Andorinho em relação a Pedroso, estando ligada, isso sim, à Sé Portucalense.

Nova citação documental surge em 1103, aludindo a uma doação feita à Sé de Coimbra, por um tal Gonçalo, da parte que possuía no mosteiro de Vilar: “Mea ratione de monasterio de Villar de Mihievennit in portione e de avorum meorum vel parentum”. Nos anos seguintes, sucederam-se provas similares, o que leva a concluir a existência de inúmeros herdeiros ligados ao mosteiro. Numa delas, feita ao Bispo do Porto, D. Pedro Pitões, em 1146, aparece pela primeira vez a denominação “Vilar de Febros”, a qual se manteve pelo menos até 1309: “Eu Suares Gonçalves Sacerdote, juntamente com meos irmãos assinamos este prazo, ou testamento, por nossas próprias mãos, a vos dom Pedro, & à Igreja de Santa Maria da See do Porto (…) monasterio Sancti Salvatoris de Villar de Feveros subtus monte Grande discurrente flumine Durio inmare oceanum”.

Um facto preponderante na história da Freguesia, e que é mencionado em muitos documentos de datas diferentes, é a disputa acesa entre a Sé do Porto e o Mosteiro de Pedroso pela posse deste padroado. Esta situação, levada até ao extremo, provocou o assassinato do religioso Andorinho, por parte de Gonçalo Barriço, um dos herdeiros da Igreja, acabando por estar na génese da designação definitiva da freguesia. A contenda só foi resolvida em 1256, por intervenção do Bispo do Porto, D. Julião, que decidiu a favor do Mosteiro de Pedroso, que manteve o padroado da Igreja de Vilar de Andorinho até 1496, ano em que este transitou para o Mosteiro de Santa Clara do Porto, por troca com a Igreja de São João da Folhada, em Marco de Canaveses.

Vilar de Andorinho sempre foi uma freguesia eminentemente rural, onde prosperaram algumas famílias de abastados lavradores e moleiros. No século XIX eram três as mais importantes casas de lavoura da freguesia: a Casa de Castro, da família Dias de Castro, no lugar de Mariz, e as Casas Dias, da família Dias dos Reis, e Tavares, no lugar de Baiza, todas elas desagregadas, como muitas outras, da família Mascarenhas Malafaia, que se fixou em Vilar de Andorinho na segunda metade do século XVII, com o casamento de Catarina Godins Malafaia, filha de Gaspar de Mascarenhas e neta de Gaspar Godins Malafaia, com Manuel Monteiro.

A moagem de cereais foi, desde tempos recuados, uma atividade económica de grande importância para Vilar de Andorinho. Já em 1568 D. Sebastião concedera licença ao chantre João Fevereiro e ao cónego Lourenço de Figueiroa para poderem dar à mesa capitular o terço dos moinhos que possuíam na Ribeira de Febros, em Vilar de Andorinho.

A freguesia chegou a ter juiz eleito e companhia de ordenanças, com seu capitão.

A segunda metade do século XIX coincidiu com um período de relativa prosperidade para os vilarenses. A proximidade com cidade do Porto permitia o rápido escoamento da produção agrícola e pecuária, que estava vocacionada, sobretudo, para produtos alimentares como o milho, os legumes, o vinho e a carne de bovino. Os legumes, e outros produtos, seguiam em carros de bois para o Esteiro de Avintes, onde embarcavam rumo à cidade. O milho destinava-se essencialmente ao fornecimento dos vários moinhos que marginavam o Rio Febros, sendo parte da farinha que aí se produzia usada no fabrico da Broa de Avintes. A propriedade, de dimensão reduzida, estava estruturada, como em todo o Minho e Douro Litoral, de uma forma eficiente e bastante produtiva. Nos limites das propriedades e sobre os caminhos, os lavradores plantavam as videiras, sob a forma de ramadas, ocupando, assim, muito pouco do reduzido espaço arável de que dispunham. Nos campos semeavam o milho, cujas canas serviam, muitas das vezes, de suporte para o feijão, plantado entre o milho, e os legumes. O milho servia também de alimento para o gado, que, além de ser um instrumento de trabalho, dava o leite e a carne que consumiam e vendiam. Esta prosperidade teve como consequência a melhoria das condições de vida da população local, a ponto de escassear a mão-de-obra necessária ao amanho da terra - os serviçais ou moços de servir e os jornaleiros. Essa melhoria das condições de vida, aliada à escassez de mão-de-obra, tornou-se bastante apelativa para as populações carenciadas do interior rural, o que explica a intensa vaga migratória proveniente das terras da Feira, Cambra e Arouca, terras vizinhas.

Na parte final desse século, o cultivo da cebola emergiu como uma atividade muito rendosa, e assim se manteve até aos primeiros anos do século XX. A produção destinava-se, sobretudo, à exportação para Inglaterra, e fez valer a alcunha de “ceboleiros” aos naturais de Vilar de Andorinho. Essa relevância económica do produto ficou registada no brasão da freguesia, que ainda hoje ostenta duas cebolas. Outra atividade de relevo foi a criação de gado bovino para exportação, que chegou a ter um peso considerável na economia local.

As lavadeiras de Vilar de Andorinho, que lavavam a roupa das famílias burguesas de Gaia e do Porto, eram conhecidas em toda a região, sendo esta uma das mais emblemáticas atividades da freguesia.

 

 

Fonte: São Salvador de Vilar de Andorinho. Notas Monográficas. Francisco Barbosa da Costa e Paulo Costa.